Em 2025, vivi uma experiência profissional diferente e, de certa forma, transformadora. Fui responsável pela direção de uma cobertura jornalística em um evento voltado à economia prateada, tema que discute longevidade, mercado 60+ e os impactos do envelhecimento na sociedade.
Depois de mais de uma década atuando em frente às câmeras, especialmente nas feiras do setor calçadista, estar na organização editorial da cobertura foi um deslocamento importante. Não apenas de função, mas de perspectiva.
A escolha não poderia ser mais significativa. A jornalista Marta Araújo, que ao longo da última década esteve comigo em inúmeras coberturas, assumia agora o protagonismo das entrevistas. Mulher 60+, sua trajetória dialoga diretamente com os temas debatidos no evento. Havia ali um encontro de gerações, experiências e perspectivas, uma inversão de papéis que não tinha relação com hierarquia, mas com maturidade profissional e confiança construída ao longo do tempo.


Produzir as pautas foi um processo natural. Marta sempre foi generosa em me conduzir profissionalmente, e muito do que sei aprendi observando seu modo atento, ético e humano de fazer jornalismo. Dirigi-la foi, antes de tudo, um exercício de escuta e respeito. O maior desafio, como quase sempre na comunicação, é sair do lugar onde estamos (e de quem somos) e tentar enxergar o mundo pela lente do outro.
E falar sobre economia prateada é, inevitavelmente, falar sobre tempo. O Brasil envelhece. A longevidade já impacta mercado, comunicação, trabalho e consumo. Mas, para além dos números, o envelhecimento é experiência de vida, é continuidade e transformação.
Enquanto profissionalmente eu reconhecia minha própria maturidade nesse novo papel, o evento também me atravessava de maneira pessoal. Envelhecer é o destino da maioria de nós e, ao mesmo tempo, um privilégio. Nem todos chegam lá.
Nos preparar para viver a longevidade com qualidade não começa aos 60. Começa muito antes. Nas escolhas que fazemos, nas narrativas que construímos, na forma como encaramos o futuro.
Talvez essa cobertura sobre economia prateada tenha sido mais do que um trabalho. Foi um lembrete: envelhecer não deve ser tratado como fim, mas como processo. E comunicar sobre isso exige responsabilidade, escuta e sensibilidade.



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