Nunca saí da escola: jornalista educador

Nunca saí da escola: jornalista educador

A educação atravessa minha trajetória profissional desde antes mesmo de eu me reconhecer como jornalista. Ainda criança, ao acompanhar a adaptação do meu irmão mais velho à escola, tive o primeiro contato com esse ambiente que, mais tarde, se tornaria um território constante de atuação. Aos oito anos, como repórter mirim, defini o caminho profissional que seguiria. O jornalismo chegou cedo, mas nunca esteve dissociado da escola.

Na graduação, essa relação se consolidou. Atuei como bolsista de extensão no projeto Nosso Bairro em Pauta, que desenvolvia ações formativas em escolas da rede pública, com foco em mídia e consumo. Durante um ano e meio, estive no chão da escola, participando das oficinas e transformando essas experiências em notícia. No último semestre do projeto, passei a atuar com turmas da educação infantil, criando atividades lúdicas e propostas pedagógicas. Entre as ações realizadas, uma caça ao tesouro pelo campus universitário marcou o trabalho ao aproximar crianças da universidade e reforçar a ideia de pertencimento a esse espaço.

Caça ao tesouro com estudantes da educação infantil

A partir dessa experiência, a escola deixou de ser apenas objeto de análise e passou a ser também campo de atuação profissional. Anos depois, desenvolvi um projeto voluntário justamente na escola em que fui alfabetizado, inspirado na experiência do repórter mirim da infância. O retorno a esse espaço reforçou a compreensão da educação como território de escuta, mediação e produção de sentidos.

No mestrado, essa articulação entre jornalismo e educação se transformou em pesquisa aplicada. O trabalho resultou na elaboração de um guia de produção de notícias, pensado como material de apoio pedagógico para o trabalho com práticas jornalísticas em contexto escolar. Atualmente, no doutorado, investigo as relações entre jornalismo, educação e infância, aprofundando o entendimento sobre mediações comunicacionais e processos formativos.

Em 2024, já como consultor pedagógico, essa trajetória ganhou novos contornos. Passei a atuar em uma empresa de tecnologia educacional, em um contexto marcado pela emergência climática no Rio Grande do Sul. No período pós-enchente, estive em escolas fragilizadas e ainda em reconstrução na região metropolitana de Porto Alegre, acompanhando instituições e refletindo sobre o uso da tecnologia como apoio à reorganização dos processos de ensino e aprendizagem.

De maio a outubro de 2025, percorri a região da Campanha, visitando escolas, especialmente polos rurais. A vivência nesses territórios ampliou significativamente meu olhar sobre as desigualdades educacionais, os desafios da infraestrutura e a necessidade de soluções pedagógicas contextualizadas. Mais do que apresentar ferramentas, o trabalho exigiu escuta atenta, leitura de território e compreensão das realidades locais

Hoje, a educação se apresenta para mim como um campo de atuação profissional consolidado. Atuo na interface entre jornalismo, educação e tecnologia, com foco em formação, produção de conteúdos pedagógicos e mediação entre escola, território e inovação. Próximo à conclusão do doutorado, passo a direcionar meu olhar também para a docência no campo da comunicação, entendendo-a como continuidade de uma trajetória construída no diálogo permanente com a escola.


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